Akita – Matéria de 1979

Akita, o cão de guarda japonês que está fazendo sucesso no Brasil

 

Vigoroso, capaz de incríveis atos de coragem e demonstrações de afeto, o akita já foi puxador de trenó e até caçador de ursos. Hoje, é o mais popular cão de companhia do Japão, apesar de praticamente desconhecido entre nós. Se você escolhê-lo como amigo, pode contar com seu carinho, dedicação e extrema lealdade, por toda a vida. Veja aqui como ele chegou ao Brasil.

O que você acha de um cão muito valente, extremamente dedicado ao dono, ótimo guardião da casa e que, além de tudo isso, é fofo como um bichinho de pelúcia? Não existe um cão assim? Então é porque você ainda não conhece o akita, um imigrante japonês que viajou milhares de quilômetros para chegar até nós, e que está se adaptando muito bem no Brasil.

Os primeiros exemplares da raça foram trazidos do Japão há apenas cinco anos, pelo canil Bras Dog. A partir daí, a criação do akita se difundiu rapidamente, e hoje existem cerca de trezentas famílias, que têm em casa esse magnífico animal.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Os irmãos Massaro e Katsu Sassaki, proprietários do Canil Minguei, especializado na criação do akita, contam com entusiasmo que a raça existe há mais de trezentos anos no Japão. “É um animal originário do Norte do Japão, a área mais fria do país. Antigamente ele era usado para caçar ursos e puxar trenós. Depois transformou-se no mais popular cão de guarda das famílias japonesas”. No Japão, a briga de cães é um esporte bastante apreciado. por seu porte físico e grande coragem, o akita foi experimentado nesse tipo de competição, mas revelou-se incapaz para a prática do bárbaro espetáculo.

Na verdade, apesar de feroz com os intrusos, o akita é um cão de ótima índole, sendo excelente companheiro de toda a família, inclusive das crianças. Um cão com tal temperamento seria incapaz de servir para batalhas campais com seus irmãos.

EXEMPLO DE DEDICAÇÃO

Massaro e Katsu Sassaki, que já ganharam vários prêmios em exposições com o akita, colecionam revistas japonesas que falam dos feitos da raça em seu país de origem. Masaro, o mais moço, conta que está tratando da importação de um macho do Japão para cruzar com a cadela Wadashime of Brasdog, de 30 meses, detentora do título de campeã, “para melhorar a qualidade do akita no Brasil”. E seu irmão mais velho, Katsu, traduz de uma revista japonesa, uma comovente história: “Havia em Tóquio um professor que possuía um cão da raça akita. Todo dia o cachorro ia com seu dono até a estação de trem, esperava que ele embarcasse e depois voltava sozinho para casa. Um dia o professor faleceu no trabalho e seu fiel companheiro não pôde mais revê-lo. Durante nove anos, enquanto viveu, o cachorro continuou indo, diariamente, à hora certa, até a estação do trem, como seu dono o havia habituado”. Acaba o relato sem fazer comentários. Apenas afaga a cabeça da cadela Wadashime, que está deitada a seus pés.

UM ANIMAL ESPLÊNDIDO

Dotado de porte majestoso, aparentando grande força física sem ser pesado, com uns olhos rasgados e cauda em semi-círculo que o tornam semelhante ao malamute do Alaska, o akita é um cão tranquilo, que late pouco, mas se mostra sempre alerta no momento necessário. Segundo Katsu Sassaki, no Japão, muitas mães deixam seus bebês no berço enquanto vão às compras ou mesmo para o trabalho e o akita toma conta deles como uma babá eficiente. Esta aparente placidez se tranforma por completo quando se trata de defender a propriedade do dono. Com estranhos, o akita é um cão de guarda implacável, que chega sem fazer barulho e ataca na hora certa. Aí, seu porte físico (40 quilos para a fêmea, 45 para o macho), agilidade e coragem se tornam armas eficientes. Quem se atrever a enfrentá-lo corre sérios riscos.

Como ressalta Massaro Sassaki é um animal dotado de grande inteligência e sensibilidade. É fácil e importante adestrá-lo, pois assimila o treinamento com rapidez e fica um cão controlado, obediente, que só atacará quando receber ordens para isso.

ADAPTAÇÃO PERFEITA

Apesar de ter pelagem abundante como todo cão de clima frio, o akita está se adaptando muito bem às temperaturas do Brasil. Além disso, como destacam Massaro e Katsu, é um animal forte, resistente a doenças, que dispensa corte de orelhas , cauda e até mesmo do pelo. Este precisa apenas ser escovado regularmente. Quanto à alimentação, o akita come arroz, legumes e pedacinhos de carne, e aceita muito bem ração. É menos guloso que um pastor alemão, por exemplo, que tem mais ou menos o mesmo porte, O pelo pode ser preto, branco, vermelho tigrado, porém sua marca registrada são as patas, sempre brancas nos bons exemplares da raça.

Se você quer conhecer de perto o akita, visite o Canil Minguei, à rua Cunha Gago, 246, no bairro de Pinheiros, São Paulo. Você vai gostar.

Reportagem publicada na Revista Cães & Cia nº 4, de Setembro de 1979.
Site: http://www.caes-e-cia.com.br/

Roberto Bezerra da Silva – Administrador