Akita, Símbolo da Saúde e Felicidade

Para os japoneses, ele é o símbolo da saúde e felicidade. Criado como cão de caça nas montanhas do norte do Japão, foi também usado como animal de combate até o século passado, quando as lutas entre cães foram proibidas no Japão. Durante a II Guerra Mundial a raça quase desapareceu por completo pois o governo japonês mandou matar todos os animais que não eram utilizados pelo Exército. Somente os pastores alemães foram poupados e alguns exemplares de Akita, que os donos os esconderam. Foi só em 1960, depois de anos de trabalho árduo é que a raça, finalmente, foi recuperada. O primeiro Akita chegou ao Brasil em 1970 e nos últimos cinco anos a CBKC registrou o nascimento de muitos filhotes.

No momento, a raça Akita está sendo muito questionada no Brasil. As opiniões são muito diversificadas sobre como deve ser o tipo do Akita, e com isso creio que vamos acabar tendo o Akita Brasileiro, já que existe o Japonês e o Americano.

Toda pessoa que resolveu comprar e criar um Akita, já leu alguma coisa sobre a raça e tomou conhecimento de um pouco da historia desta, escolhida para ser o melhor companheiro. Em troca pelo que recebemos das qualidades que ela nos presenteia, nos sentimos muito envolvidos, e cada vez mais cresce o desejo de aprimorar os nossos conhecimentos para com ela.

Akita tem sua origem no Japão, quando um nobre foi exilado para o distrito de Akita, província que se localiza ao norte da ilha de Honshu, no século XVII. Grande interessado em cães, estimulou a criação local. Com gerações de acasalamentos seletivos, a raça evoluiu para esse cão de estrutura e talhe incomuns, grande caçador e guarda. Nos séculos seguintes a raça passou por momentos de apogeu alternados com fase de quase extinção. Em 1927 foi fundada a Sociedade Akitainu Hozankai, destinada a preservar sua pureza. Em 1931, o governo classificou-a como monumento nacional e um dos tesouros do Japão. De fato, é tão importante para o país, que o governo se encarrega da manutenção de um campeão Akita quando seu proprietário não pode fizê-lo.

Criado como um versátil cão de caça nas montanhas ao norte do Japão, o Akita foi amplamente utilizado nesse trabalho, tanto na perseguição da presa como para trazê-Ia à mão. Desse modo, suas habilidades no esporte incluem resistência, visão acurada e faro, silêncio e velocidade aliados a um corpo e estrutura altamente resistente.

Existe um significado espiritual ligado à raça. No Japão os Akitas sempre foram encarados como companheiros leais, protetores do lar e símbolo de saúde. Quando uma criança nasce, a família geralmente ganha uma estatueta simbolizando o Akita, como garantia de saúde, felicidade e longa vida. Da mesma forma, quando uma pessoa adoece, os amigos lhe oferecem uma outra estatueta, como expressão do desejo de pronta recuperação.

Akita de hoje é descendente, em tamanho maior, dos antigos cães japoneses que aparecem em antigas gravuras: as orelhas eretas e a cauda curva acima do dorso são inconfundíveis.

Combinando dignidade com boa natureza, coragem alerta com docilidade, esta raça se caracteriza pela fidelidade aos membros da família e amigos: sabe bem defender os seus contra qualquer ameaça estranha.

O SEU COMPORTAMENTO

Apenas a partir dos três meses é possível observar algumas características no filhote (como por exemplo, a sua desinibição ou timidez). Nesta fase, ele já começa a latir para estranhos e se mostra calmo com os adultos. É muito fiel e carinhoso, mas bastante reservado. Cão de um só dono, se apega a todos da casa, apresentando, porém, uma leve prediIeção por uma determinada pessoa, para a qual se dirige com mais freqüência. Gosta muito de crianças e sabe lidar com elas, dosando sua força. Quando se cansa das brincadeiras, retira-se calmamente.

Como o Akita tem uma dificuldade natural em aceitar imposições de estranhos -um adestrador, por exemplo- é melhor ensiná-lo em casa. Só o treinamento para exposições deve ser feito por especialistas e iniciado cedo a partir de 4 ou 5 meses para que o animal se acostume com o professor. E, se este não conseguir ganhar a sua confiança, ele não o aceitará e, conseqüentemente, não o obedecerá.

EVOLUÇÃO

Para melhor conhecimento da raça, á necessário saber um pouco de sua história. Em 1868, houve uma revolução no Japão quando ocorre o término do Governo de Shogum Topogawa, com a restauração do Império Japonês, dando início a “Era Meide”. Até este período, o país passava por um isolamento internacional, cujo controle impedia as entradas e saídas de pessoas, e também importação e exportação de mercadorias e informações, sendo que o mal cumprimento dessas exigências, acarretava na pena de morte. Desta forma, a entrada de cães ocidentais era proibida. Nesta época, o povo da região de Akita, apreciava o “esporte” de briga de cães, e os considerados bons, eram aqueles que saíam vitoriosos na rinha. Ainda nesta época, não estava estabelecido nenhum padrão do cão, entretanto após o término do isolamento, o povo passou a misturar o cão original com várias raças ocidentais, principalmente com molossos. Contudo, todas as características de molossos são indesejadas hoje na raça Akita. Na época da Segunda Guerra Mundial, o governo militar proibiu a criação de cães no país, influenciados pelos seus aliados alemães, eliminando todos os exemplares exceto os da raça Pastor Alemão existentes no país, isto porque esses eram utilizados nos trabalhos do exército. Ao término da Guerra, haviam poucos exemplares da raça Akita e iniciou-se a sua mistura com o Pastor Alemão.

Quaisquer características desta última, tais como orelhas excessivamente na vertical, grandes, e distância muito estreita entre elas; crânio sem forma triangular, afetaram suas formas originais, e é considerado hoje um tipo antigo para os japoneses.

Nos tiltimos 40 anos, os japoneses vêm trabalhando no sentido de tornar a raça mais pura possível, resgatando as características típicas anteriores.

Uma das determinações do Governo Japonês, estabelecendo uma Iei de 1918, que conseguiu se manter incólume, protegia as reservas biológicas nacionais, paradoxando às acoes inibidoras da criação e que alteravam o “padrão” da raça. Esta lei também protegia os cães de origem japonesas, acarretando, contra todos os impedimentos, a criação da Nippon Kenkos Okai, em 1928, entidade que protegia a raça Akita, então se estabelecendo o 1º padrão para cães da raça nipônica. Foi o único padrão nipônico diferenciado apenas pelo tamanho do animal: grande, médio, pequeno. Em 1931, foi descoberto o primeiro exemplar canino de porte maior, através da investigação do Dr. Seiquild Siburagui, na província de Akita, e foi considerado espécie que requereu proteção para preservação.

Em 1934, foi criada a Akita Inohos Okai, Associação de preservação da raça Akita, na cidade de Odapuwa, na província de Akita. Esta Associação é comumente chamada de Akiho e assim estabeleceu o padrão da raça Akita.

O padrão da raça do Japan Kennel Club corresponde à este padrão. Em 1948, foi criado o Akita Inu Jokai, uma Associação da raça na cidade de Tokio, comumente chamada de Akio, que finalmente determinou o padrão.

Texto: Marly Miranda


Artigo publicado na Revista do Novo Rio nº 2, de Janeiro de 1994.
Novo Rio Kennel Clube

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