Cinomose Canina

Doença infecto contagiosa, causada por vírus e que se apresenta sob três formas clínicas: aguda, subaguda e uma terceira, que após longa quiescência, pode externar-se como forma crônica progressiva de encefalite.

PATOLOGIA

A via de ingresso mais comum é a respiratória entretanto, o vírus pode ingressar pela via digestiva ou conjuntiva, por contato direto, as fontes de infecção mais comum são o ar, os fômites, água e alimentos contaminados por secreção de outros cães enfermos. Verificou-se que no 1° dia as células afetadas são os macrófagos do trato respiratório alto e das amígdalas. No 2° e 3° dias o vírus faz viremia e é encontrado nas células mononucleoses do sangue. Do 3° ao 6° dias o vírus se replica no sistema linfoide de todo o organismo, tais como medula óssea, timo, baço , linfonodos mesentérios, placas de peyer, células mononucleares ao redor dos vasos e brônquios dos pulmões. Entre o 2° e 6° dias ocorre o primeiro pico febril, e entre o 6° e 9° dias as células mononucleares com vírus soa vistas em todo o organismo. Nos animais que não demonstram anticorpos a partir do 9° dia, há invasão das células epiteliais pelos vírus. Nestas células epiteliais há replica do vírus. Ocorre então o segundo pico febril e aparecem os sintomas e sinais clínicos.

Se estes anticorpos estiverem com titulo igual ou maior que 100 USN (unidades soro neutralizantes) , o animal se recupera e não há invasor das células epiteliais, isto demonstra que a produção destes anticorpos é fator que influencia na disseminaçao ou no desaparecimento do vírus nos tecidos linfóides e epiteliais. Se o vírus alcançarem em pequena quantidade as células epiteliais, tais como as epidérmicas ou os neurônios, antes que os níveis de anticorpos esteja altos, estes vírus podem persistir nestas células, a menos que as mesmas seja destruídas. Esta permanência explicaria a encefalite tardia e o hard pad disease ( onde o vírus esta restrito a neurônios a células dos coxinsplantares).

A forma de coxins plantares fibrosados, em que o cão não que apoiar, ou chora e não se levanta, costuma ser progressiva, e comumente só é notada no mínimo três a seis meses depois da infecção aguda, podendo surgir até anos após a fase clínica. Se a fêmea estiver grávida, pode haver infecção transplacentária e neonatal. Na infecção transplacentaria os cãezinhos desenvolvem sinais neurológicos , durante as quatro a seis primeiras semanas de vida. A cadela pode apresentar enfermidade de gravidade mediana ou mesmo inaparente. Dependendo do estagio da gestação em que se de a infecção podem ocorrer abortos, neonatos mortos ou neonatos vivos fracos. Cãezinhos que sofram a enfermidade antes do nascimento da dentição permanente podem ter lesões severas no esmalte dentário. O vírus age diretamente sobre as células da membrana ameloblatica, causando hipoplasia do esmalte dentário.

As lesões macroscópicas durante a fase aguda da cinomose são : conjutivite, rinite, e faringite catarrais ou catarropurulentas, broncopneumonia catarropurulenta, enterite catarral, principalmente no intestino grosso, baço aumentado de volume e com freqüência, congesto fígado muitas vezes congesto. É comum ocorrer infecção secundaria por bactérias, incluindo micoplasma, resultando em broncopneumonia supurativa.

Microscopicamente nas mucosas afetadas e nos pulmões encontra-se infiltraçao leucocitaria predominantemente neutrofilica com presença em maior ou menor numero de linfócitos e macrófagos nos pulmões há formações inciciais que se apresentam como células gigantes.

SINAIS CLÍNICOS

Os sinais clínicos , duração e gravidade da doença irão depender de alguns fatores tais como: estado imunológico do animal, virulência da cepa, órgãos afetados pelo vírus entre outros. A maioria das infecções pelo vírus da cinomose ( VC) é provavelmente subclínica

Os sinais clínicos podem ou não seguir uma cronologia, porém geralmente a cinomose é uma doença aguda e febril. Esta febre é bifásica, tendo um pique febril de 3 a 6 dias após a infecção e dura 1 a 3 dias. A temperatura retorna ao normal por período de 7 a 14 dias, após o qual ocorre uma Segunda elevação da temperatura corporal, acompanhada por conjuntivite e rinite.Geralmente podemos observar tosse, diarréia, vomito, anorexia, desidratação e perda de peso acompanhada de debilitaçao nos cães com cinomose aguda. Podem ocorrer erupções nos epitélios(pele e mucosa) de inicio sob forma de pápulas, para em seguida se transformarem em vesículas e estas evoluírem para pústulas, especialmente no abdomem. Acredita-se que o exantema inicial seja imunomediado; freqüente os cães que apresentam lesões cutâneas recuperam-se . Os epitélios de revestimento interno dos pulmões quando se inflamam sob ação do vírus, determinam aparecimento de pneumonia, o mesmo ocorrendo com o revestimento mucoso do estomago e intestinos, determinando gastrite e enterite. Em alguns casos a evolução da doença é predominantemente nervoso, pela ocorrência de inflamação exclusiva da meninge e conseqüente meningite virótica. Germes de associação encontrados tanto no trato respiratório quanto digestivo , vem complicar a doença num estagio mais avançado, com aparecimento de lesões mais graves além de corrimento purulentos, esses corrimentos podem ser em decorrência de infecções bacterianas secundárias. Bordetella bronchiseptica é comumente encontrada em cães com cinomose. Podem surgir sinais de encefalite aguda, com manifestações variadas. Miocloniasou contrações involuntárias dos músculos, compulsões do tipo de mastigação de chiclete, ataxia, incoordenaçao, ambulaçao em círculos hiperstesia, rigidez muscular, vocalização. Os sinais neurológicos podem apresentar-se tardiamente, semanas ou meses apos a recuperaçao de infecções inaparentes , ou após a recopilação de cinomose aguda. Cães que apresentam sinais neurológicos de surgimento tardio em geral tem imunidade contra VC, o que sugere que o vírus pode Ter escapado a eliminação pela resposta inume, em decorrência dos efeitos protetores da barreira hematoencefálica. Os sinais clínicos observados no caso da encefalite cinomostica subaguda são similares aos da encefalite da cinomose aguda, o sinal mais característico é a mioclonia ou o espasmo dos flexores, mas qualquer dos sinais acima relacionados poderá surgir. O vírus da cinomose é considerado como a causa mais comum de convulsões em cães com menos de 6 meses de idade. A outra forma de encefalite cinomosica crônica e conhecida como “encefalite dos cães idosos”. Este e distúrbio progressivo de rara ocorrência , encontrado geralmente em cães com mais de 6 anos de idade, não há sinais sistêmicos. O mais comum sinal neurológico é a diminuição visual, o animal afetado pode manifestar uma mudança de personalidade e falha em reconhecer pessoas, objetos e outros animais.

Assim sendo a doença pode ter 4 fases de apresentação:

  • PULMONAR: São predominantemente do aparelho respiratório as anormalidade constatadas quando do exame clinico do animal, traduzindo-se por inflamação da faringe e laringe que provoca tosse, assim, como da traquéia e os próprios pulmões, ocorrendo pneumonia.
  • DIGESTIVA: O aparelho digestivo é o predominantemente afetado, com vômitos e disenteria, de inicio serosa para surgir o sangue logo em seguida(hemorrágica) e purulenta em seu final.
  • NERVOSA: Predominantemente sinais nervosos com sintomas típicos de encefalite
  • CUTÂNEA: É a forma mais benigna da doença, quando os sinais comprovados são unicamente na pele ou mucosas, aparecendo conjuntivites serosas breves, tendo evolução pra cura rápida sem maiores complicações. Os animais vacinados que não adquiriram por alguma razão conveniente imunidade, em geral , exteriorizam esta forma da doença.

 

FORMA DE INFECÇÃO

O vírus penetra no organismo suscetível através do ar aspirado , no chamado contagio aéreo ou por via digestiva através dos alimentos ou da águas, contaminados por secreções de animais enfermos. É uma das mais freqüentes enfermidades dos cães, principalmente de animais jovens em seu primeiro ano de vida. Podem também ser infectados animais mais velhos que por alguma razão , não tenham sido imunizados anteriormente com vacinas próprias, ou que por alguma doença tenham sua resistência debilitada, tornando-se presas fáceis para essa infecção. Ele é transmitido principalmente por aerossóis e gotículas infectantes provenientes de secreções do organismo de animais infectados, e a infecção dissemina-se rapidamente entre jovens suscetíveis. O animal doente espirra e contamina o ambiente e os animais que estejam perto. Inclusive se tiver ser humano por perto, o vírus pode ser carregado ate um animal sadio por ele.

 

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico de cinomose na sua forma aguda ou subaguda em geral toma por base a historia e os sinais clínicos. Uma combinação de febre, sinais respiratórios ( rinite, tosse e pneumonia) , corrimentos oculanasais mucopurulentos , diarréia, hiperceratose dos coxins plantares, e sinais neurológicos e altamente indicativa de cinomose, especialmente em jovens cães não vacinados ou em cães maturos com historia de vacinação inadequada. Podem estar presentes irregularidades na superfície dos dentes, em decorrência da hipoplasia do esmalte, resultante da lesão direta de VC a camada ameloblastica dos dentes em desenvolvimento. Linfopenia é achado consistente nos casos de cinomose aguda, podendo apoiar o diagnostico clinico. O diagnostico definitivo pode ser firmado pela detecção do VC nas células epiteliais, por meio do exame dos anticorpos fluorescentes ou pelo isolamento do vírus. Os cães que se recuperam de cinomose aguda apresentam títulos mais baixos de anticorpo do que os cães com infecção inaparentes ou com imunidade induzida pela vacina , mas a relação ente IgM/IgG especificas para VC é mais elevada no cão em processo de recuperaçao. O teste de anticorpos fluorescentes(AF) é geralmente efetuadas com base em células epiteliais coletadas da conjuntiva ou outras membranas mucosas, ou em esfregaços sanguíneos ou de células provenientes do tampão leucocitário. A interpretação do teste AF baseia-se na detecção de antígeno do VC apenas no interior de células epiteliais. O êxito de teste AF traduzido pela detecção de células positivas para VC , e positivo durante os primeiros dias dos sinais agudos da cinomose. Comumente o teste AF é negativo nos casos de encefalite cinomósica subaguda de surgimento tardio ou crônica, porque os cães com este distúrbios geralmente possuem o anticorpo neutralizado que eliminou o vírus ou que bloqueia a reação.

Um teste AF negativo VC não elimina categoricamente a possibilidade da cinomose , no diagnostico. Um teste positivo para VC indica que foi detectado o antígeno de VC nas células observadas, e os resultados devem ser interpretados em conjugação com os sinais clínicos.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

O diagnostico final de cinomose não é fácil como parece. Temos visto numerosos clínicos fecharem o diagnostico de cinomose só porque o animal e jovem e há sinais digestivos, ou só pneumônicos, de rinite ou conjuntivite purulenta , ou só porque há tiques nervosos, sem procurar fazer diagnostico clinico diferencial. O diagnostico deve ser precoce, porem não deve ser inconseqüente, pois outras enfermidades podem simular cinomose ou apresentar sinais e sintomas em partes comuns aos dessa enfermidade, tratado o animal, como se estivesse com cinomose , vem a morrer da verdadeira doença que não foi diagnosticada e progride livremente , sem a terapêutica adequada.

Também fomos formados para diagnosticar facilmente a cinomose e hoje reconhecemos que e talvez a doença canina mais difícil de ser diagnosticada corretamente.

Parainfluenza

Esta enfermidade não costuma dar hipertermia acima de 40°C , geralmente a temperatura esta abaixo deste ponto. Comumente não da pneumonia, mas só rinofaringite com exsudato nasal seroso ou seromucoso, e só quando há enfermidade secundaria por bactérias, como a Bordetella brochiseptica, é que se desenvolve pneumonia, as vezes com tosse profunda correspondendo a tosse dos canis. A cinomose costuma dar temperatura acima de 40,5°C, porém há muitos casos sem hipertermia o corrimento conjuntival e nasal comumente e catarropurulenta a pneumonia é precoce e sem tosse.

 

Broncopneumonia verminótica

Nesta , o exame microscópico de fezes comumente revela numerosos ovos de Toxocara sp. E ou de estrongilideos tipo ancylostoma sp.

 

Estrongiloidose

Por Strongyloides Stercoralis, em infestação maciça , que é comum parasitando profundamente a área duodenal pode dar origem a edema, enterite catarral e diarréia sono intranqüilo, convulsões e as vezes tiques, principalmente por irritar os plexos nervosos intestinais.

 

Dilipidose

Esta pode causar diarréia, dor abdominal , apatia ou o contrario , irritabilidade tremores e até mioclonias, não encontramos explicação para os fenômenos neurológicos , porém poderiam originar-se ou de toxina ou por irritação da mucosa e lesão pelos ganchos fixadores que dão enterite profunda e estado alérgico de forma que os plexos nervosos da submucosa e mioenteriocs responderiam, dando sinais nervosos reflexos. Esta verminose também não da hipertermia e nunca da origem a estado pneumônico, seu diagnostico e difícil o animal pode arrastar o anus no chão, sentado com as patas para a frente.

 

Toxoplasmose

Pode dar diarréia o que não e muito comum pneumonia, sinais nervosos como apatia e mais raramente irritativos hiperestesicos com tiques e convulsões. Esta doença na fase aguda e febril e é difícil diferenciá-la da cinomose, em esfregaços de sangue as vezes, encontram-se macrófagos com o protozoário como as vezes encontram-se neutrófilos ou macrófagos co inclusões de Lentz.

 

Isosporose

Nesta enfermidade é comum a diarréia as vezes sanguinolenta, as vezes com fezes mucoides. Não é incomum haver pneumonia secundaria por baixa de resistência nos casos graves e adiantados, há sinais nervosos ,ora com apatia , ora com tremores mioclonias e convulsões, devido as lesões entéricas que podem irritar os plexos ou permitir o aumento de absorção de substancias tóxicas intestinais.

 

Intoxicação por clorados e clorofosforados

É em menor grau as causadas por fosforados e carbamatos confundem-se com a cinomose. Podem causar diarréia, edema e congestão pulmonar o sinais nervosos , ora com apatia , ora com tremores, mioclonias, convulsões e ás vezes agressividade

 

PROGNÓSTICO

É reservado nas formas ou fases iniciais digestiva e respiratória, pois as mesmas podem progredir para a fase nervosa. É mau na doença avançada com graves lesões entéricas e pneumonicas que podem causar a morte também e uma na fase nervosa, pois a mesma comumente é progressiva rarissimamente estacionando, levando á morte em curso agudo ou crônico e sempre deixando seqüelas que podem ser inabilitantes, quando eventualmente o animal escape á morte.

 

TRATAMENTO

Não há medicamentos antivirais ou agentes quimioterápicos de valor pratico para o tratamento especifico da cinomose em cães, a não ser o soro hiperimune( Gama globulinas especificas) mas o custo é alto e é de difícil acesso. Antibióticos de amplo espectro estão indicados no controle das infecções bacterianas secundárias, e liguidos , eletrólitos vitaminas do complexo B e complementos nutricionais estão indicados para a terapia auxiliar. O prognostico e reservado para a maioria dos casos de cinomose aguda , especialmente se estão presentes sinais neurológicos, mas o controle das infecções secundárias e o tratamento auxiliar melhoram as chances de recuperaçao . Propalou-se que a vitamina C e o éter dietilico soa benéficos no tratamento da cinomose. Foi comunicado que a dexametasona tem algum valor no tratamento de cães com sinais neurológicos pós cinomósicos. A administração de vacina Vírus vivo modificado (VVM) para a cinomose por via IV foi tida como tendo valor terapêutico, mas não existem dados provenientes de estudos controlados, que apóiem esta afirmativa.

Cepas atenuadas do vírus do sarampo induzem imunidade “heterotípica”contra a cinomose. O vírus do sarampo não e neutralizado por baixos níveis de anticorpos contra VC, e estimula a imunidade mediada por célula e a imunidade humoral a cinomose em presença da imunidade derivada da mãe, o que poderia interferir com as vacinas VC. A imunidade estimulada pelo vírus do sarampo em cãezinhos jovens é , basicamente do tipo mediado por células, com baixos títulos de anticorpos proporcionando proteção temporária contra VC. Os cãezinhos de mais elevados de anticorpos contra o vírus do sarampo. Cadelas com títulos elevados de anticorpos contra o sarampo transferem anticorpos para seus filhotes, o que ira interferir com imunização através do vírus do sarampo. A vacina com o vírus do sarampo não e recomendável em cãezinhos com mais de 10 semanas de idade, e esta contra indicada em cadelas reprodutoras. A vacina contra o sarampo administrada isoladamente ou em combinação com a vacina contra a cinomose esta indicada apenas em cãezinhos com 4 a 10 semanas de idade. Se um cãozinho tem 10 semanas de idade ou mais por ocasião da vacinação será preferível a vacina VVM contra a cinomose e não a vacina contra o sarampo. A vacina com o vírus do sarampo utilizada em cães não e a mesma vacina pra os seres humanos,esta última não deverá ser empregada em cães.

 

VACINAÇÃO

Como em toda e qualquer doença viral a vacinação preventiva ainda é a melhor opção de sucesso, para evitar o mal maior que é a perda do animal querido. Este é o maior motivo para se manter sempre em dia a carteirinha de vacinação dos cães e visitar o seu veterinário de confiança pelo menos 2 vezes ao ano no minimo para uma avaliação geral do seu pet.

FONTES:

www.pubmed.com.br
nwww.cvm.tamu.edu.com
www.ufrgs.br
www.fortdodge.com.br
www.metasoft.com.br
www.canalrural.com.br
www.distemper.bom.ru
www.kennelvet.com.br