Displasia Coxo Femoral

DISPLASIA COXOFEMORAL CANINA

Uma questão de diagnóstico?

Um exame clínico apropriado não é suficiente para o diagnóstico da displasia. Definitivamente será radiográfico, mediante imagem de qualidade, posicionamento correto do animal e interpretação por radiologista como profissional gabaritado.

Conceito: é a má formação das articulações coxofemorais. Incide em todas as raças, principalmente nas grandes e gigantes, bem alimentadas e de crescimento rápido. Atinge os dois sexos, podendo comprometer uma articulação (aproximadamente 10%) ou ambas.

Histórico: Schnelle (1936) descreveu pela primeira vez a displasia coxofemoral e Konde (1947) comentou sua origem hereditária. Schales (1959) a descreveu como uma má formação e indicou o exame radiográfico para o seu diagnóstico. Wayne e Riser (1964) relacionaram o crescimento rápido e precoce e ganho de peso de pastores com transmissão genética. Henricson, Norberg e Olsson (1966) consideraramna como uma má formação hereditária e a subluxação como conseqüência da alteração anatômica.

Transmissão: hereditária, recessiva, intermitente e poligênica (alguns autores consideram 20 genes). Fatores nutricionais, biomecânicos e de meio ambiente (multifatorial), associados à hereditariedade, pioram a condição da displasia. Recomenda-se fundamentalmente evitar os traumas, sejam eles da obesidade, dos trabalhos precoces, dos exercícios forçados, dos locais escorregadios, etc.

Etiopatogenia: as estruturas que auxiliam na manutenção das articulações são: cápsula articular, ligamento acetabular transverso, musculatura da região, ligamento redondo, pressão negativa intra-articular e ampliação do acetábulo pelo lábio glenoidal ou ligamento acetabular. Pesquisadores fundamentam seus estudos nas modificações bioquímicas do líquido sinovial, como a diminuição do cloro (carga negativa) e aumento do sódio e potássio (cargas positivas). Em função destas alterações ocorre um aumento da osmolaridade, que traz como conseqüência o aumento da quantidade do mesmo líquido e a sinovite, com desidratação da cartilagem articular. A partir deste instante desenrola-se uma seqüência de outros episódios, tais como: aumento da pressão intraarticular, aumento da tensão sobre as estruturas moles que mantém a articulação, afrouxamento destes tecidos moles, perda da intimidade articular, arrasamento (ossificação ou calcificação) ou não da cavidade acetabular (aspecto medial), subluxação (deslocamento lateral da cabeça femoral, normalmente como primeiro sinal radiográfico), edema, ruptura parcial ou total do ligamento redondo, micro fraturas acetabulares craniais e por fim a osteoartrose secundária (porque se desenvolve secundariamente a uma outra alteração a displasia). Há de se considerar ainda a hipótese de que a displasia é uma má formação biomecânica, resultante de uma disparidade entre o desenvolvimento femorais, modificando a condição arquitetônica da articulação como um todo, com rompimento do ligamento redondo.

Sintomatologia: ocorre principalmente entre os quatro meses até menos de um ano de vida. Os cães poderão apresentar dificuldades para levantar, caminhar, correr, saltar e subir escadas. A locomoção pode ser dificultada em lugares escorregadios. Para correr poderão imitar a corrida de coelhos. A claudicação poderá afetar um ou os dois membros. No segundo caso observa-se, com alguma freqüência, que os animais deslocam o peso mais sobre os membros anteriores, desenvolvendo a musculatura torácica desproporcionalmente em relação aos posteriores. As passadas podem ser mais curtas, podendo ocorrer relutância aos exercícios, observando-se preferência pelo sentar ou deitar. Episódios anormais de agressividade são algumas vezes observados, inclusive com o próprio dono. A displasia pode provocar muitas dores, andar imperfeito, afetando a resistência do animal. Um cão displásico tanto pode apresentar sintomas quanto não.Quando a sintomatologia se fizer presente, o animal deverá ser imediatamente radiografado, independente da idade.Nos casos assintomáticos, para qualquer raça, procede-se ao exame radiográfico definitivo aos vinte e quatro meses completos de idade

Figura 2. Radiografia de um cão com displasia coxofemoral bilateral severa, representada pela evidente subluxação, acompanhada de doença articular degenerativa: arrasamento da cavidade acetabular, achatamento da cabeça femoral, assemelhando-se a forma de um cogumelo e espessamento do colo femoral, acompanhados de osteófitos (bicos de papagaio). Na peça anatômica observa-se espessamento da cápsula articular e do ligamento redondo (setas pretas), totalmente rompido em uma das articulações (seta branca) e apenas parcialmente na contralateral. As imagens esbranquiçadas nas cabeças femorais decorrem de lesões das cartilagens articulares com aparecimento do osso subcondral.

Exame clínico: baseia-se na observação do animal em estação, caminhando e trotando, na constatação de aumentos de volumes e assimetrias nos membros e na busca da presença da dor, crepitação e amplitude do movimento articular, maior na fase aguda e menor na crônica, já que nesta última intensificam-se as alterações articulares degenerativas, tomando lugar à fibrose capsular e muscular circundante. Os sinais de Ortolani e Bardens devem ser explorados em cães jovens, anestesiados e colocados em decúbito lateral. Para o sinal de Ortolani (figura 3), posicione o fêmur superior perpendicularmente ao eixo longitudinal da pelve e paralelamente à superfície da mesa de exame. Coloque a palma de uma das mãos sobre a articulação coxofemoral sob avaliação e com a outra segure firmemente a articulação fêmorotíbiopatelar (joelho) correspondente, pressionando o fêmur contra o seu acetábulo (bacia, pelve). Quando esta pressão é exercida, a cabeça femoral da articulação displásica subluxa dorso lateralmente. Mantenha esta pressão e abduza ao máximo o fêmur. Durante esta manobra você sentirá que a cabeça do fêmur retornará a sua cavidade acetabular, algumas vezes emitindo um som audível semelhante a um “clunk”. O retorno com ou sem som é um achado clínico que corresponde a um sinal Ortolani positivo, vindo a confirmar a presença de frouxidão articular. Para o sinal de Bardens (figura 4), indicado para animais mais leves e com menos de três meses de idade, segure o fêmur superior com uma mão e posicione a outra mão com o polegar na tuberosidade isquiática, o indicador sobre o trocânter maior e o dedo médio na tuberosidade sacral. Abduza o fêmur paralelamente à mesa de exame. O deslocamento lateral do trocânter maior, além do compatível, percebido pelo indicador e polegar, revela frouxidão articular.

Contenção: o diagnóstico definitivo é obtido através do exame radiográfico, mediante posicionamento correto do paciente e imagens de qualidade. Este posicionamento normalmente é alcançado através da anestesia geral, já que estamos frente a uma alteração muitas vezes dolorosa e de raças geralmente grandes. Algumas associações farmacológicas proporcionam analgesia rápida e profunda e relaxamento muscular. Priorizase uma anestesia dissociativa segura, de efeitos secundários reduzidos. Procedendose com cuidado e com drogas modernas os riscos caem praticamente a zero.

Controle da displasia: todos os animais utilizados na reprodução deverão passar por uma seleção radiográfica, como condição mínima necessária. Deverão ser isentos de displasia, não sendo preciso ressaltar que quanto mais longe formos no controle dos ascendentes, melhor será. Os animais aprovados para a reprodução também o deverão ser quanto à prova da descendência. Não basta apresentar articulações coxofemorais normais, pois animais nestas condições podem transmitir a má formação aos seus descendentes. É importante esclarecer que as radiografias só avaliam os aspectos fenotípicos (alterações radiográficas) e não o genótipo. Freqüentemente animais sem sinais de displasia são portadores dos respectivos gens.

É preciso deixar muito claro que todos os animais, com exceção dos de categoria A, sem sinais de displasia coxofemoral (HD–), do alemão Hüftgelenk Dysplasie e do inglês Hip Dysplasia, apresentam displasia, em menor ou maior grau. Atualmente no Brasil, para fins de reprodução, é permitido o acasalamento dos cães pertencentes às três primeiras categorias, ou seja, A (HD), B (HD+/) e C (HD+), enquanto que em alguns países do primeiro mundo, a Alemanha como exemplo, só são autorizadas para o mesmo fim as classificações A e B. Sugerese, caso a fêmea seja C (HD+), displasia coxofemoral leve, que ela deva ter pelo menos excelentes características do padrão da raça, como dentição, temperamento, conformação, pelagem, etc.. Estas virtudes devem superar as deficiências das articulações. Esta mesma fêmea deveria acasalar com um macho A, sem sinais de displasia coxofemoral (HD). As recomendações para as fêmeas não devem ser aplicadas aos machos, já que os mesmos transmitirão a displasia para um número muito maior de filhotes. Animais levemente displásicos tendem a transmitir displasias discretas. É importante ressaltar que os critérios de acasalamento devem levar em consideração o tamanho do plantel e a conformação das articulações. Se a população de animais em uma determinada raça é muito grande e o controle da displasia é feito rotineiramente há muito tempo, o critério na reprodução será mais rígido se comparado com outras raças com número menor de exemplares e com controle radiográfico mais incipiente. Caso contrário limitaríamos tanto os acasalamentos que poderiam não haver mais animais aptos para este fim. Muitos proprietários questionam o diagnóstico radiográfico, quando o resultado é de displasia moderada ou severa e quando os cães correspondentes praticam exercícios diários intensos sem manifestar qualquer sintoma. Isto é perfeitamente possível, pois sabemos que muitas vezes não há correlação entre as lesões radiográficas e os sinais clínicos.

Radiografia perfeita: ao se realizar uma radiografia das articulações coxofemorais para o diagnóstico da displasia, faz-se necessária a anestesia geral, podendo ser de curta duração, de tal forma que o paciente fique livre de qualquer reação, com o objetivo de se obter um posicionamento correto. O animal é então colocado em decúbito dorsal, com os membros posteriores estendidos caudalmente, de igual comprimento, paralelos entre si e em relação à coluna lombar, rotacionados medialmente, de tal forma que as patelas se sobreponham aos sulcos trocleares. A pelve deve estar paralela à superfície da mesa, ou seja, sem inclinação (figura 5). Para uma radiografia de posicionamento adequado, é de grande valia uma calha (figura 6), utilizada para deitar o animal no seu interior, com a pelve fora da mesma. Portanto ela é um acessório muito importante para este tipo de exame. Os membros torácicos são estendidos cranialmente, tomando-se o cuidado de não haver inclinação do tórax do animal (figura 5).

Nestas circunstâncias a imagem radiográfica deverá nos mostrar o seguinte (figura 7):

  • ílios simétricos
  • canal pélvico ovalado, de contornos simétricos, quando dividido sagitalmente
  • foramens obturadores simétricos
  • fêmures paralelos entre si e com a coluna
  • patelas sobrepostas aos sulcos trocleares

 

A imagem radiográfica deve permitir a visualização de toda a pelve, assim como das articulações fêmorotíbiopatelares, para que se possa avaliar a simetria dos ílios e o posicionamento das patelas. Se estas não estiverem sobrepostas aos sulcos trocleares, conclui-se que os membros posteriores foram rotacionados de forma excessiva ou insuficiente. Normalmente é insuficiente, ou seja, a patela tende a se sobrepor mais ao côndilo lateral do fêmur do que ao sulco propriamente dito. No posicionamento apropriado das patelas, alcançado através da rotação medial dos membros, exerce-se uma força sobre as cabeças femorais, levando as articulações displásicas a subluxação, enquanto que no animal normal não ocorrerá o mesmo. Normalmente é esta subluxação a primeira alteração radiográfica e em princípio a mais importante. Através dela é que se determina o grau no índice de Norberg. As demais alterações desenvolverseão como conseqüência da subluxação, como a osteoartrose, por exemplo, por isso denominada de osteoartrose secundária. Uma radiografia de qualidade deverá ser bem contrastada, observando-se de forma bem detalhada a borda acetabular dorsal e a estrutura trabecular da cabeça e colo femorais. Estes objetivos são alcançados utilizando-se bons equipamentos de raios X,  écrans e filmes de boa procedência, revelação por processamento automático, sempre que possível e uma câmara escura que realmente seja escura, provida de uma lâmpada de segurança que realmente seja de segurança. Sob a superfície da mesa radiográfica (figura 6), no Bucky, faz-se presente uma grade antidifusora, com a função de absorver a maior parte da radiação secundária. Esta, quando ausente, produz imagens sem contraste, isto é, de aspecto enfumaçado.

Radiografia inadequada: é aquela caracterizada principalmente pela assimetria dos ílios, ausência de paralelismo entre os fêmures, principalmente por abdução dos membros, patelas não sobrepostas aos sulcos trocleares e aquelas sem padrão de imagem, por estarem sub ou super expostas (claras ou escuras, respectivamente), prejudicando o contraste, tremidas, manchadas, mal reveladas, etc., bem como aquelas sem os dados de identificação do paciente na emulsão do filme, ou seja, antes da revelação (figura 8).

Diagnóstico: é realizado através da avaliação precisa da conformação das articulações coxofemorais, associada à medição do índice de Norberg (figura 9). Baseia-se este na determinação dos centros das cabeças femorais e da união dos mesmos, por intermédio de uma linha, que nos possibilitará traçar, a partir de um dos centros uma segunda linha, que tangenciará a borda acetabular crânio lateral. As duas linhas formam entre si um ângulo, chamado ângulo de Norberg. Este é apenas um dos elementos necessários para o diagnóstico da displasia.

Outros fatores devem ser levados em consideração, tais como o posicionamento do centro da cabeça femoral em relação à borda acetabular dorsal, o aspecto da linha articular, a presença de alterações articulares degenerativas (osteoartrose secundária) e a conformação das bordas acetabulares, principalmente crânio lateral. Segundo Norberg o menor ângulo compatível com a normalidade é 105º, porém pode haver uma articulação com 105º ou mais e ser classificada como próxima do normal (B) ou levemente displásica (C). Basta, para isto, a presença de osteófito na borda acetabular crânio lateral, comprometendo o ângulo ou quando menos de 50% da cabeça femoral estiver inserida na cavidade acetabular. Os autores têm preconizado pelo menos 50%. É de fundamental importância entender, que em princípio, quanto maior o ângulo de Norberg, maior será a congruência articular. Em outras palavras, maior será o contato entre cabeça femoral e cavidade acetabular ou maior será a intimidade entre elas ou maior será o encaixe da cabeça femoral. A partir deste momento, quanto menor a congruência articular, menor será o ângulo e mais evidente será a subluxação, podendo caminhar até à luxação. Há alguns anos o Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária CBRV, por meio de uma plêiade de médicos veterinários radiologistas, tem tornado realidade, como em países do primeiro mundo, a emissão de um Certificado de Controle da Displasia Coxofemoral Canina. Esta nova modalidade de prestação de serviços surgiu de uma necessidade premente, já que havia uma enorme discrepância entre os diagnósticos realizados. Estes erros levam inúmeros criadores a prejuízos incomensuráveis, que alicerçam sua criação em reprodutores supostamente livres de displasia. O CBRV, ao receber a radiografia realizada por médico veterinário, a examina quanto sua qualidade diagnóstica, podendo não aprovala, caso a mesma não obedeça aos padrões técnicos exigidos.

Normas do CBRV para avaliação da displasia coxofemoral em cães no Brasil, segundo os critérios da FCI Federação Cinológica Internacional.

1 Procedimentos técnicos Idade

A avaliação das condições articulares será feita conclusivamente a partir dos vinte e quatro meses completos de idade. Avaliações preliminares das articulações coxofemorais poderão ser realizadas a partir dos seis meses de idade.

Contenção

Com a finalidade de assegurar a qualidade técnica desejada, é obrigatória a contenção do paciente, mediante a utilização de associações farmacológicas capazes de determinar perfeito relaxamento do animal, para se obter o posicionamento correto e livre de reações por parte do cão. O médico veterinário, ao realizar a radiografia, assinará um termo de responsabilidade, comprometendose com esse tipo de contenção.

Posicionamento

Decúbito dorsal com os membros pélvicos em extensão, paralelos entre si e em relação à coluna, tomandose o cuidado de manter as articulações fêmorotíbiopatelares rotacionadas medialmente, de tal forma que as patelas se sobreponham aos sulcos trocleares. Devese ainda ter o cuidado para que a pelve fique em posição horizontal.

Identificação do filme

Na identificação mínima permanente do filme, em sua emulsão, deverá constar o número de registro do animal, raça, data de nascimento, data do exame radiográfico e a identificação da articulação coxofemoral direita ou esquerda. Recomendase acrescentar o número do microchip quando se optar por esta forma de identificação e/ou o número da tatuagem quando este não coincidir com o número de registro do animal.

Identificação do paciente

O médico veterinário ao realizar a radiografia deverá identificar o animal, caso ainda não esteja, por microchip, corretamente denominado de transponder (figura 10) ou por tatuagem (figura 11), para um posterior controle, se necessário.

Tamanho do filme

Deve ser suficiente para incluir toda a pelve e as articulações fêmorotíbiopatelares do paciente.

Qualidade da radiografia

Serão analisadas as radiografias devidamente identificadas e as que obedecerem aos critérios de posicionamento do animal, cujo padrão de qualidade ofereça condições de visualização da delicada trabeculação óssea da cabeça e colo femorais e ainda definição precisa das margens da articulação coxofemoral, especialmente da borda acetabular dorsal.

2 Laudo

Os radiologistas, ao receberem a radiografia, avaliam a sua qualidade para o diagnóstico, ficando a cargo deles a possibilidade de não aprovala, caso não obedeça aos padrões técnicos desejados. Para a emissão do laudo definitivo, cada radiografia será examinada por uma banca de pelo menos três radiologistas membros do CBRV, escolhidos por sorteio.

Classificação das articulações coxofemorais:

A (HD): sem sinais de displasia coxofemoral (figura 12 abaixo) A cabeça femoral e o acetábulo são congruentes. A borda acetabular crânio lateral apresentase pontiaguda e ligeiramente arredondada. O espaço articular é estreito e regular. O ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 105º, como referência.

 

B (HD+/): articulações coxofemorais próximas do normal (figura 13 abaixo)A cabeça femoral e o acetábulo são ligeiramente incongruentes e o ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 105º ou o centro da cabeça femoral se apresenta medialmente à borda acetabular dorsal.

C (HD+): displasia coxofemoral leve (figura 14 abaixo) A cabeça femoral e o acetábulo são incongruentes. O ângulo acetabular, segundo Norberg, é de aproximadamente 100º e/ou há um ligeiro achatamento da borda acetabular crânio lateral. Poderão estar presentes irregularidades ou apenas pequenos sinais de alterações osteoartrósicas da margem acetabular cranial, caudal ou dorsal ou na cabeça e colo femorais.

D (HD++): displasia coxofemoral moderada (figura 15 abaixo) Evidente incongruência entre cabeça femoral e o acetábulo, com subluxação. Ângulo acetabular, segundo Norberg, é maior do que 90º como referência. Presença deachatamento da borda acetabular crânio lateral e/ou sinais osteoartrósicos.

E (HD+++):(Figura 16. E abaixo), displasia coxofemoral severa.Luxação ou distinta subluxação, acompanhada de osteoartrose ainda mais evidente.

Classificação da Displasia Coxofemoral
A (HD)Sem sinais de displasia coxofemoralApto à reprodução
B (HD+/)Articulações coxofemorais próximas do normalApto à reprodução
C (HD+)Displasia coxofemoral de grau leveAinda permitido
D (HD++)Displasia coxofemoral de grau moderadoNão apto à reprodução
E (HD+++)Displasia coxofemoral de grau severoNão apto à reprodução

Tratamento: poderá ser medicamentoso ou cirúrgico. Neste último relacionam-se várias possibilidades, desde as mais simples, tais como, por exemplo, a pectineotomia e a ressecção de cabeça e colo femorais (artroplastia excisional), até as mais complexas, como as correções de desvios do tipo geno valgo e antiversão, a denervação da cápsula articular, a acetabuloplastia extracapsular, a osteotomia tripla de pelve (figura 17), a osteotomia intertrocantérica, o alongamento de colo femoral, a prótese total coxofemoral, mais recentemente a sinfisiodese púbica juvenil, etc. e as associações cirúrgicas, como a osteotomia tripla de pelve com o alongamento de colo femoral. Modernamente temse tratado, não só a displasia coxofemoral, mas também a displasia do cotovelo, a osteocondrose, a necrose avascular de cabeça femoral, a espondiloartrose, a osteoartrose, a osteoartrite, etc., mediante produtos com a propriedade de proteger e regenerar (anabolizar) a cartilagem articular danificada, produzindo analgesia natural. Antiinflamatórios, especialmente esteróides, mascaram a dor, liberando os movimentos articulares sobre uma cartilagem articular previamente lesionada, lesionandoa ainda mais. Acrescese a esses dois fatores a ação destrutiva (catabolizante) na cartilagem articular, própria destas drogas, antagônica aos fatores anabolizantes dos produtos já referidos. Por esta razão a associação dos antiinflamatórios só deve ser preconizada na fase inicial do tratamento. A ação anabolizante dos produtos pode resultar ainda melhor se acompanhada de medidas apropriadas de manejo, tais como manter o animal em locais restritos para que o mesmo reduza sua atividade física, assim como evitar a obesidade do paciente e os locais escorregadios. Hidroginástica e natação também são recomendadas. Nos tratamentos anabolizantes pode tanto ocorrer remodelamento osteoarticular como progressão da osteoartrose, sem que isto represente insucesso do tratamento. Independente das alterações, o que importa é recuperar a função das articulações coxofemorais, proporcionando qualidade de vida não só ao animal, mas também ao proprietário do mesmo. Os osteófitos pericondrais poderiam ser parcialmente absorvidos, descomprimindo ao nível da coluna as ramificações nervosas eferentes correspondentes. Poderíamos evitar a calcificação dos discos intervertebrais, desde que os mesmos ainda não estejam calcificados. Caso estes procedimentos não sejam coroados de êxito, não podemos deixar de considerar a intervenção cirúrgica como uma possibilidade adicional.

Resumo: displasia coxofemoral é a má formação das articulações coxofemorais, incidindo em todas as raças, principalmente nas grandes e de crescimento rápido. Sua transmissão é hereditária, recessiva, intermitente e poligênica. Fatores nutricionais, biomecânicos e de meio ambiente, associados à hereditariedade, pioram a condição da displasia. A suspeita ao exame clínico é possível, mas é o estudo radiográfico, a partir dos vinte e quatro meses completos de idade, mediante posicionamento correto do animal, que determina definitivamente o diagnóstico. Para tanto o cão deve estar livre de qualquer reação. Este estado é atingido com a anestesia geral. O paciente deve ser posicionado em decúbito dorsal, membros posteriores estendidos, de igual comprimento, paralelos entre si e em relação à coluna, rotacionados medialmente, de tal forma que as patelas se sobreponham aos sulcos trocleares. A pelve não pode estar inclinada. Na identificação mínima do filme deverá constar o número de registro do animal, raça e datas de nascimento e do exame radiográfico. Recomenda-se acrescentar o número do microchip e/ou da tatuagem, quando este não coincidir com o do registro do cão. A subluxação, normalmente como primeiro sinal radiográfico, pode levar a osteoartrose secundária, assim denominada por se desenvolver secundariamente a uma outra alteração, no caso a displasia. O controle desta má formação se faz através de uma seleção radiográfica de todos os animais usados na reprodução. O índice de Norberg é utilizado para o diagnóstico. Atualmente o tratamento preconizado tem se fundamentado na regeneração osteoarticular, principalmente da cartilagem articular degenerada.

Summary: hip dysplasia is the bad formation of the coxofemoral joints, happening in all the races, especially in the big ones and of fast growth. Its transmission is hereditary, recessive, intermittent and polygenic. Nutritionals, biomechanicals and environmental factors, associated to hereditary factors, worsen the dysplasia condition. The suspicion to the clinical exam is possible, but it is the radiographic study, usually at twenty four months of age, by means of correct positioning of the animal, that determine definitively the diagnosis. For so the dog should be free from any reaction. This state is reached by general anesthesia. The patient should be positioned in dorsal recumbency, pelvic limbs in extension, of the same length, parallel to each other and in relation to the spine, medially rotated, in such a way that the patellas are centered over the femur. The pelvis cannot be inclined. In the minimum identification of the film it should only be the animal’s number of registration, breed, birth’s date and date of the radiographic exam. It’s recommended to add the microchip’s number and/or the tattoo’s number when this one doesn’t coincide with the dog registration number. The subluxation is usually the first radiographic sign, and it can take to a secondary osteoartrosis, as its appearance is secondarily to a previous alteration, the hip dysplasia. The control of this bad formation is made through a radiographic selection of all animals used in the reproduction. The index of Norberg is used for the diagnosis. Nowadays the treatment is based on products that regenerate the degenerated joint cartilage.

Resúmen: displasia de cadera es la mal formación de las articulaciones coxofemorales, que incide en todas las razas, principalmente las grandes y de crecimiento rápido. Su transmisión es hereditaria, recesiva, intermitente y poli génica. Factores nutricionales, biomecánicos y de medio ambiente, asociados a la hereditariedad, empeoran la condición de la displasia. La sospecha al examen clínico es posible, pero solamente el estudio radiográfico con la posición correcta del animal, a partir de los veinticuatro meses de edad, puede determinar definitivamente el diagnóstico. Para el examen, el perro debe estar libre de cualquier reacción, lo que puede ser logrado con la anestesia general. El paciente debe ser colocado en decúbito dorsal, con los miembros posteriores extendidos, paralelos entre si y con relación a la columna, con rotación interna de ambas rodillas, de forma que las patelas se sobrepongan a los surcos trocleares. La pelvis no puede estar inclinada. En la identificación mínima de la película deberá constar el numero de registro del animal y la raza así como fechas de nacimiento y del examen radiográfico. Recomiéndase agregar el numero del microchip y/o del tatuaje cuando este no coincida con el numero de registro del perro. La subluxación, normalmente como primer signo radiográfico, puede llevar a una osteoartrosis secundaria, así denominada por desarrollarse de forma secundaria a otra alteración, en este caso, a la displasia. El control de esta mal formación se hace a través de selección radiográfica de todos los animales utilizados en la reproducción. El índice de Norberg es empleado para el diagnóstico. Actualmente, el tratamiento recomendado se fundamenta en la regeneración osteoarticular, principalmente del cartílago articular degenerado.

Unitermos: hereditariedade, estudo radiográfico, posicionamento correto, subluxação, índice de Norberg.

Fonte: Site www.provet.com.br

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