Displasia do Cotovelo

Displasia do Cotovelo

 

A displasia do cotovelo é a má formação da articulação úmerorádioulnar. É de origem hereditária, normalmente bilateral, que acomete cães, principalmente de raças grandes e gigantes, bem alimentadas e de crescimento rápido. Ela normalmente causa dor, levando à doença articular degenerativa (osteoartrose), portanto um processo crônico e progressivo. O desenvolvimento da osteoartrose está associado a algumas causas de caráter hereditário, que podem ocorrer isoladas ou em combinação. São cinco as lesões primárias que causam a osteoartrose secundária:


 

  • Fragmentação do processo coronóide (figura 18, 19 e 20)
  • Não união do processo ancôneo (figura 21 e 22)
  • Incongruência articular (figura 23)
  • Osteocondrose (figura 24)
  • Anomalia da cartilagem articular (figura 25)

A principal projeção radiográfica para a avaliação da displasia da articulação do cotovelo é a médiolateral em flexão, aproximadamente 45? (figura 26), acrescida da crâniocaudal (figura 27). Outras projeções complementares podem ser necessárias. Uma articulação normal possui espaços articulares estreitos e uniformes. As alterações radiográficas freqüentemente são sutis, nem por isso menos importantes, requerendo para sua visualização imagens de excelente qualidade, além da avaliação bastante criteriosa do radiologista. Das lesões primárias, a de maior dificuldade diagnóstica é a fragmentação do processo coronóide, mesmo mediante posicionamentos corretos e imagens de excelente qualidade, já que a lesão será observada por sobreposição. Por estas razões a tomografia computadorizada (figura 28) passa a ser o método diagnóstico mais apropriado, infelizmente de difícil acesso na medicina veterinária.

A incidência da displasia do cotovelo aumenta em animais portadores de displasia coxofemoral, já que para aliviar o peso sobre os membros posteriores, este recai sobre os membros anteriores, sobrecarregando as articulações do cotovelo. Podemos observar aumento de volume destas articulações e desvio lateral do terço distal dos respectivos membros em decorrência da sua supinação (figura 29). Podemos ainda observar o “arqueamento” dos membros anteriores, especialmente ao nível das articulações do cotovelo (figura 19).

As radiografias dos cotovelos normalmente são realizadas por ocasião do diagnóstico radiográfico da displasia coxofemoral.

Classificação da Displasia do Cotovelo
GrauAchados Radiográficos
0Articulações sem alterações radiográficas
1Mínima mudança óssea no processo ancôneo
2Mudanças ósseas subcondrais adicionais e/ou osteófitos
3Doença articular degenerativa bem desenvolvida

Cuidados de manejo, semelhantes aos já relatados na displasia coxofemoral, são importantes para minimizar os problemas clínicos advindos dos cotovelos, podendo trazer resultados surpreendentes. As opções medicamentosas utilizadas no tratamento desta displasia são as já referidas para as articulações coxofemorais, exceção que se faz aos tratamentos cirúrgicos, completamente diferentes.

É impressionante a melhora do plantel em relação a esta má formação, quando animais displásicos são automaticamente afastados da reprodução. No Brasil, infelizmente, estas questões não são enfrentadas com coragem, além da falta de consciência da maior parte dos criadores. Até hoje o controle da displasia coxofemoral não é uma realidade em nosso país. Portanto fica difícil comentar sobre o controle de uma má formação, como a do cotovelo. Desconsiderando o fato de que os animais podem sofrer as dores da displasia, ser criador deveria significar agregar valor aos frutos da criação, cultura de um país moderno e competitivo. Ao criador responsável cumpre a obrigatoriedade da melhora genética dos plantéis, levando em consideração a complexidade e a importância do controle destas e de outras alterações geneticamente transmissíveis. Se mundialmente somos respeitados no agronegócio, por que não na cinofilia?

Figura 29. Rottweiler acometido bilateralmente de osteocondrose e fragmentação do processo coronóide. Notar o desvio lateral da extremidade distal dos membros anteriores.

Fonte: Site www.provet.com.br