Macho e Fêmea na Reprodução

Considerações sobre a escolha do padreador e da fêmea e a importância de cada um. Entramos com uma matéria muito controversa e que exige muitos fatores para serem analisados:

Fatores comuns a ambos:

Se considerarmos unicamente os fatores genéticos veremos que o papel se reparte em 50%.

Devemos ter pedigrees impecáveis que nos dêem uma imagem mais próxima possível do genótipo e buscar toda informação complementar que se possa obter sobre os ascendentes.

Para interpretá-lo corretamente recorremos a um técnico, se necessário, veremos os campeões que estão por trás: pais, avós, etc… o pedigree deve ser uma fonte de informação, ausente de displasia, cores, etc.

Ter pais campeões significa que pessoas qualificadas, juizes, certificam que esses exemplares têm o protótipo que o padrão pede, o fenótipo ideal.

Esse estudo preliminar nos dá uma idéia aproximada do que pode sair  de cada ninhada, pelo menos em tese.

Existe uma crença muito difundida entre os criadores: a dominância ou prepotência de um exemplar sobre seu par.

Geralmente essa crença se aplica aos machos, mas na realidade não há porque ser assim.

É mais fácil explicar que quantos mais caracteres homozigóticos tem um exemplar, maior a porcentagem de possibilidades haverá que transmita seu fenótipo, trate-se esse exemplar de macho ou fêmea.

Em ambos progenitores estudaremos seu aspecto externo, seu fenótipo, sua saúde, seu dinamismo e expressão, de tal maneira que possamos comprovar que não existe “depressão endogâmica” provocada pelo excesso de consangüinidade.

Se é possível tomaremos como dado positivo que ambos sejam filhos de ninhadas numerosas.

Fatores favoráveis ao macho:

O macho tem sobre a fêmea vantagens numéricas quanto ao número de cruzas, também de mobilidade e eleição. Um macho excepcional pode cobrir praticamente todas as fêmeas que lhe cheguem; pensemos que em uma raça tão controlada como o Pastor alemão permita-se ao macho cobrir 60 vezes no ano.

Uma fêmea não poderia ter mais do 6 ou 8 ninhadas em sua vida. Vemos, pois, que um bom macho pode
produzir em um só ano mais filhos do que uma fêmea em toda sua existência.

Por outro lado a fêmea é o que é e está onde está, mas com sua limitação no número de partos.

Dependendo do estudo que façamos de suas características, poderemos eleger o macho que mais convenha.

Um exemplo claro dessa vantagem do macho, nós temos aos já citados Tryarr Diamondback Redbolt
e Sindelar?s Heide Ho, ambos recordistas da raça em produção de filhos campeões.

Ele com 63 filhos campeões e ela só com 21. O macho pôde fazer ao longo de sua vida um número indefinido de montas, a fêmea, só teve 8 partos.

O macho deverá aprovar sempre uma inspeção exaustiva e ser selecionado tanto por seu fenótipo quanto por seu pedigree. Para o macho não há desculpas: tem que ser ideal e o complemento ideal para a fêmea.

Respeitando o direito que cada criador tem de trabalhar como bem entender, há que proceder pensando sempre que o progresso da raça se deve ao trabalho dos criadores e o êxito dos criadores é o êxito de sua raça é trabalhar para preservar, fixar e espalhar só o bem.

Fatores favoráveis à fêmea:

Os fatores meio ambientais são elementos que tangem exclusivamente as fêmeas. A saúde é básica em ambos os progenitores, mas o macho, uma vez cumprido seu trabalho na monta e provendo um sêmen de primeira qualidade, termina com isso sua intervenção no trabalho de reproduzir e já não conta mais para o futuro de seus filhos e é aí que entra justamente a verdadeira participação da fêmea.

A fêmea constitui, nos mais de 60 dias de prenhez, o meio ambiente dos futuros filhotes. Vão se nutrir, desenvolver, captar fatores decisivos para seu crescimento, imunologia, saúde e inclui variações de cores não genéticas graças a ela e a seu estado de saúde.

Do cuidado que havia estado antes da monta e durante a gravidez e a lactação dependerão a qualidade alimentícia do leite materno. De sua estabilidade emocional e de sua maneira de enfrentar o redor estão relacionados com o futuro caráter e equilíbrio emocional dos filhotes.

“Os machos dão a fama, mas são as fêmeas que fazem o nome de um bom criador”. O autor dessa frase é Richard Gray, Presidente do Staffordshire Terrier Club of America, e não é uma frase que induza à discriminação do macho.

Há de entendê-la em seu justo significado:  tendo boas fêmeas é fácil buscar o macho apropriado e a boa descendência está assegurada.

O fenótipo está fortemente influenciado pelo meio ambiente, alimentação, alojamento idôneo, exercício adequado, socialização, etc.

O genótipo é independente do meio ambiente, mas nunca alcançará seu máximo potencial sem o um acompanhamento adequado.

A fêmea é a base. Uma pessoa com 2 ou 3 boas fêmeas podem fazer a melhor a criação desde que saiba eleger o macho apropriado.

Muitos criadores, incluindo alguns de renome, expressam suas preferências por fêmeas um pouco masculinas.

Alegam que dão melhores filhos, sobretudo os machos. Creio que o correto seja um macho masculino e uma fêmea feminina. Na feminidade tem que se encontrar todas as marcas diferencias da fêmea, incluindo as que favoreçam a maternidade.

Seria impensável que a natureza tenha sido cega para criar marcas de dimorfismos e, que ao pensar dele, as características de um só sexo  contenham as virtudes de ambos.

 

Artigo escrito por Amalio Lasheras