Síndrome Uveodermatológica

SÍNDROME UVEODERMATOLÓGICA

ou SÍNDROME DE HARADA – (SVKH)

 

O que é esta doença?

Olho de um cão atacado pela doença.

A Síndrome Uveodermatológica (SUD), em cães, é comparada à Síndrome Vogt-Koyanagi-Harada (V-K-H), em humanos, desde 1977, por Asakura e colaboradores.

Acredita-se que a doença seja conseqüência de alteração auto-imune contra melanócitos dérmicos e uveais, acometendo principalmente a raça Akita, podendo claro atacar outras raças sem discriminação.A SUD canina é uma síndrome comum, tendo como sintomas clínicos mais comuns: variados graus de uveíte anterior ou panuveíte, vitiligo e leucotricose.Em cães, o diagnóstico é efetuado por meio de exame clínico e histopatológico, e o tratamento, que é longo ou vitalício, consiste em cicloplégicos, antiinflamatórios não-esteroidais, corticosteróides e fármacos imunossupressores. O prognóstico é desfavorável a longo prazo e as recidivas são comuns.

A Síndrome Uveodermatológica (SUD) foi relatada pela primeira vez no Japão, em 1977, em dois cães da raça Akita que apresentavam sintomatologia ocular bilateral e despigmentação cutânea, por Asakura e colaboradores. A sintomatologia ocular em cães geralmente se manifesta antes da sintomatologia dermatológica, sendo caracterizada por uveíte anterior ou panuveíte bilateral, despigmentação uveal, descolamento de retina e cegueira. Após o relato de Asakura e colaboradores, outros foram realizados em cães de outras raças e em diversos países. No Brasil, o primeiro relato de caso foi efetuado em 1991, a partir de um estudo retrospectivo em 21 cães da raça Akita.

Em humanos, a síndrome V-K-H possui prevalência maior em orientais, latinos e povos mediterrâneos, e a maior predisposição das mulheres na América do Norte não condiz com estudos no Japão. Scott e colaboradores (1996) não indicam faixa etária ou sexo mais acometidos nos cães acometidos pela SUD, já Collins & Moore (1991) indicam adultos jovens, com idade média de 2,8 anos, e machos, como classe predisposta. As raças mais acometidas são Akita, Samoieda, Husky Siberiano, Pastor de Shetland, Old English Sheepdog, Golden Retriever e Setter Irlandês. Outras raças também possuem relatos de casos como São Bernardo, Australian Shepherd, Chow-chow, Teckel e Rottweiler.

Os Sintomas

Os sintomas clínicos oculares, em humanos com a síndrome V-K-H, são bilaterais em 95 % dos casos e podem ser: variados graus de uveíte anterior, posterior, ou ambas, leucotricose, vitiligo, disacusia e meningite. Edema retinal ou descolamento de retina ocorrem em 93 % dos casos humanos. As alterações oculares em crianças são semelhantes, porém mais graves que as encontradas em adultos.

Os sintomas em cães, caracterizam-se por uveíte anterior ou panuveíte bilateral, despigmentação uveal, descolamento de retina e cegueira; além das seqüelas freqüentes das uveítes como: catarata, sinéquia posterior, íris bombé e glaucoma secundário com buftalmia. O aparecimento de catarata em uveítes é comum, em cães e humanos, provavelmente devido à alteração na composição do humor aquoso, o que interfere na nutrição do cristalino. Em humanos, quarenta a 44 % dos pacientes com síndrome V-K-H apresentam catarata, cuja incidência depende da idade do paciente, tempo de recorrência da inflamação e utilização de corticóides por seis meses ou mais.

Nos cães, as uveítes acarretam grave descolamento de retina através de acúmulo de exsudatos e infiltrado celular na coróide, levando à cegueira, caso o descolamento seja extenso ou total ). Neovascularização na membrana subretinal é encontrada em nove a 11 % dos humanos possuidores da doença.Os sinais dermatológicos, em cães, são vitiligo em pálpebras, plano nasal, lábios e, ocasionalmente, em escroto, coxins, ânus e palato duro. O vitiligo raramente é disseminado. Pode ocorrer leucotricose em face ou de forma generalizada e a alopecia não é um achado constante.

As lesões despigmentares de pele de caninos geralmente são bem demarcadas, podendo apresentar eritema de média intensidade e descamação. Essas lesões podem progredir para erosões, ulcerações e formações de crostas, e também podem estar associadas à exposição à luz solar. Os sinais neurológicos em cães são incomuns, e não foram encontradas evidências de alteração no líquido-cérebro-espinhal e em necrópsias de animais com SUD. Há apenas relato de alteração comportamental em um cão da raça Akita acometido pela SUD, porém, não foram realizados exames neurológicos. Já em humanos, a sintomatologia nervosa em pacientes com síndrome V-K-H é comum.

Diagnóstico

Em cães, é baseado no exame clínico e exame histopatológico das lesões. Em cães, os exames de rotina não apresentam alterações e testes imunológicos normalmente não levam ao diagnóstico. Exames histopatológicos oculares revelam panuveíte granulomatosa, descolamento de retina, destruição do epitélio pigmentado da retina e cicatriz na coróide. Pigmentos no interior dos macrófagos são característicos. Exames histológicos da pele revelam dermatite com padrão liquenóide, grandes histiócitos, células plasmáticas e pequenas células mononucleares. Em humanos e cães, o descolamento de retina pode ser diagnosticado por exame ultra-sonográfico, ou usando-se oftalmoscópio.

Em cães, a biópsia de pele pode revelar dermatose liquenóide com infiltração dermal histiocítica, linfocítica e plasmocítica. Pode haver ausência de melanócitos e vascularização celular do estrato córneo.

Tratamento

O tratamento de uveítes, em cães, consiste em cicloplégicos, antiinflamatórios não-esteroidais, corticosteróides e fármacos imunossupressores. Pacientes humanos com a síndrome V-K-H são tratados, geralmente, com altas doses de corticóides sistêmicos e, quando necessário, com ciclosporina ou agentes citotóxicos. Em cães, o tratamento efetuado com corticóides em dias alterados geralmente se faz necessário, podendo-se associá-lo com azatioprina. A recidiva é comum e o prognóstico a longo prazo é desfavorável. A repigmentação dérmica completa pode ocorrer, caso a síndrome seja tratada precocemente. É recomendável que o paciente canino seja mantido em ambiente escuro, minimizando a miose e a dor intra-ocular. Compressas quentes também são indicadas. No caso dos cães, a resposta das lesões de pele não deve ser utilizada para avaliar a resposta ao tratamento, porque a uveíte pode estar ativa enquanto a pele está melhorando. Exames oftálmicos devem ser efetuados periodicamente.

Resumindo

A Síndrome Uveodermatológica (SUD) é uma doença comum, é importante os donos de raças predispostas se atentarem ao diagnótico precoce, devido à necessidade da instituição de um tratamento correto e rápido, tentando-se obter, ao menos, a estabilização dos sinais, evitando-se assim a perda de visão e complicações sistêmicas que têm como porta de entrada as lesões oculares e dermatológicas. O tratamento da SUD é longo ou vitalício, com visitas periódicas ao médico veterinário. Cada animal deve ter o seu próprio protocolo terapêutico, por meio de adaptações de doses e fármacos. Os proprietários de animais acometidos pela SUD devem ser alertados que todos os cães que apresentem essa síndrome não devem ser utilizados para reprodução, devido ao possível fator hereditário envolvido.

Clube do Akita – O Guardião Japonês