Vacina contra a leishmaniose

Cientistas da UFMG lançam vacina contra a Leishmaniose

Imunizante poderá evitar a morte dos animais e beneficiar a saúde pública

Andréa Castello Branco

Cientistas mineiros vão lançar hoje uma vacina que, segundo eles, protege os cães da leishmaniose visceral. A Leish-Tec foi desenvolvida por pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e será produzida pela Hertape Calier Saúde Animal, por meio de acordo de transferência de tecnologia. A vacina está sendo considerada um grande avanço na prevenção da leishmaniose visceral porque, de acordo com o grupo, não torna o animal soropositivo. A vacina usada hoje faz com que os cães vacinados sejam confundidos com animais infectados pela doença em função da produção de anticorpos. Ricardo Tostes Gazzinelli, doutor em imunologia e pesquisador da UFMG que coordenou o estudo ao lado de Ana Paula Fernandes, explica que o diferencial da Leish-Tec é o uso da biotecnologia, que permite a manipulação molecular. “O que fizemos foi selecionar um antígeno que não provoca a reação cruzada no teste sorológico. A vacina convencional utiliza formas promastigotas. A pesquisa identificou no DNA de formas amastigotas a melhor proteína, que é a A2. A partir daí, clonamos e produzimos uma recombinante. Os testes mostraram que a A2 é capaz de induzir a imunização mantendo os animais soronegativos sem produzir efeitos colaterais.”

Saúde Pública. Com a imunização dos cães – reservatórios do parasita -, espera-se beneficiar também os seres humanos. “Por ser uma zoonose, a partir do momento em que você protege os animais e impede que estes se tornem um reservatório do parasita, você também diminui a incidência de leishmaniose nos seres humanos”, diz o veterinário da Hertape Calier, Vinícius Hermont. “É um método de controle contra uma doença que, apesar de alta incidência, não tem cura (o tratamento para os animais não oferece a cura definitiva, segundo os ministérios da Saúde e da Agricultura)”, ressalta. A Hertape Calier já concluiu duas fases de teste clínico aprovados pelos ministérios da Agricultura e Pecuária e da Saúde. Hoje ela deve apresentar as conclusões da terceira fase de testes. “Como os resultados ainda não foram divulgados, não temos como comentar (a vacina). Mas estamos torcendo para ser uma top vacina, mais uma arma para o controle e prevenção da doença”, disse o veterinário Benjamim Maciel, ex-diretor da Associação Nacional de Clínicos Veterinários (Anclivepa).

No Brasil

Norte e Nordeste O maior número de casos de leishmaniose é registrado nessas
regiões, onde a precariedade das condições sanitárias favorecem a doença.

Sudeste

O aumento de registros nessa região mostra que todo o país corre o risco de enfrentar uma epidemia da doença.

Federal desenvolve remédio

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) conseguiu desenvolver, com uma técnica mais simples do que a usada atualmente, o antimoniato de meglumina – princípio ativo do remédio que combate a leishmaniose visceral em seres humanos. O remédio comprado pelo Ministério da Saúde para o tratamento da doença na rede pública é produzido pela empresa farmacêutica Sanofi-Aventis, da Europa. De acordo com a química Cynthia Peres Demicheli, professora do Departamento de Química do Instituto de Ciências Exatas da UFMG que coordenou o estudo, atualmente o remédio é importado pelo Ministério da Saúde, o que encarece o tratamento.

Interesse. O ministério, disse a pesquisadora, já conhece o projeto da UFMG. “Existe o interesse (do Ministério da Saúde) em fabricar o medicamento no Brasil. Agora isso depende de escolher uma farmoquímica para produzir o princípio ativo”, explicou Cynthia.

Continuidade. O grupo dela continua as pesquisas sobre leishmaniose em três linhas diferentes. A primeira visa desenvolver uma formulação oral para o medicamento, hoje injetável. A segunda linha busca meios para se reduzir a dose do princípio ativo, o que diminuiria a toxicidade e aumentaria a atividade do medicamento. A última tem como objetivo desenvolver um remédio para tratar e curar a leishmaniose em cães. (Carla Chein)

Saiba mais

Leishmaniose visceral

Transmissão

É transmitida ao homem pela picada do mosquito-palha infectado. O cão é reservatório do parasita e também pode adoecer.

Sintomas no ser humano

Há febre e perda de peso/apetite; baço, fígado e gânglios linfáticos crescem. Pode levar à morte se não for tratada

Fonte – jornal O Tempo – MG: http://www.otempo.com.br

Clube do Akita – O Guardião Japonês